sábado, 20 de dezembro de 2008

COCAÍNA - EFEITOS E MALEFÍCIOS

É uma das drogas ilegais mais consumidas no mundo. A cocaína é um psicotrópico (atua quimicamente sobre o psiquismo, ex.: tranqüilizantes, estimulantes, etc), pois age no Sistema Nervoso Central, isto é, sua atuação é no cérebro e na medula espinhal, exatamente nos órgãos que comandam os pensamentos e ações das pessoas.

Há dois tipos de envenenamento pela cocaína: um caracterizado pelo colapso (diminuição da excitabilidade nervosa) circulatório e, o outro, pela intoxicação do Sistema Nervoso Central - o cérebro, que é o órgão da mente. A respiração primeiro é estimulada e depois decai. A morte se sucede devido ao colapso cardíaco.

As alucinações provocadas pelo consumo de cocaína são terríveis: no início, um pouco de prazer, mas com o decorrer do tempo o usuário pode ouvir zumbidos de insetos, queixando-se de desagradável cheiro de carrapatos; sente que pequenos animais imaginários, como verme e piolho, rastejando embaixo de sua pele, e as coceiras ou inquietações quase o levam a loucura. Nos casos agudos de intoxicação, pode haver perfuração do septo nasal (parede que separa o lado esquerdo do lado direito do nariz), quando a droga é aspirada ou friccionada (esfregada) nas narinas; e queda dos dentes, quando a fricção for nas gengivas.

A maneira como a cocaína é usada pode ter influência nos efeitos. Quanto mais rápido a cocaína é absorvida e enviada para o cérebro, maior será a euforia experimentada. O reforço do próprio uso e a possibilidade de efeitos colaterais (adversos) também são maiores.

Mascar folhas de cocaína devagar e continuamente. As folhas de coca apresentam apenas o equivalente a 1% do seu peso de cocaína, portanto são engolidas quantidades relativamente pequenas ao mascar. Esses fatores contribuem para manter níveis baixos de cocaína no sangue e, portanto, significativamente menos euforia.
A cocaína extraída das folhas e purificada com um sal (hipoclorido). Nesta forma, a cocaína pode ser absorvida por inalação e pode ser injetada. A inalação (cheirar) produz níveis rápidos e também declives rápidos. Os níveis de cocaína no cérebro, suficientes para surtir efeitos, são atingidos de 3 a 5 minutos. Os efeitos da injeção intravenosa (aplicado no interior das veias) são ainda mais rápidos, menos de um minuto.

Fumar produz efeitos em um tempo mais curto que a injeção intravenosa, normalmente abaixo de 10 segundos. Duas formas de base para a cocaína tem sido usadas para fumar - "freebase" e "crack". Essas formas são psiquicamente idênticas, mas são preparadas de forma diferente. "Freebase" refere-se à base isolada em éter depois de tratada com sal dissolvido em água com amônia. O éter é evaporada para obter uma droga muito pura e sólida. "Crack" refere-se à forma não salgada da cocaína isolada numa solução de água, depois de um tratamento de sal dissolvido em água com bicarbonato de sódio. Os pedaços grossos secos têm algumas impurezas e também contém bicarbonato. Os últimos estouram ou racham (crack) como diz o nome.




Corte cerebral pós-morte de um adito em cocaína. A lesão mostrada refere-se a uma hemorragia cerebral massiva e está associada ao uso da cocaína.

Os malefícios da cocaína

A cocaína é a droga que mais rapidamente devasta o usuário. Bastam alguns meses ou mesmo semanas para que ela cause um emagrecimento profundo, insônia, sangramento no nariz e corisa persistente, lesão da mucosa nasal, e como dito antes, podendo até mesmo causar perfuração do septo. Doses elevadas consumidas regularmente também causam palidez, suor frio, desmaios, convulsões e parada respiratória. No cérebro, a cocaína afeta especialmente as áreas motoras, produzindo agitação intensa. A ação da cocaína no corpo é poderosa, porém breve, durando cerca de meia hora, já que a droga é rapidamente metabolizada pelo organismo.

Fonte: www.abcdasaude.com.br

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

DEPRESSÃO E TRANSTORNOS AFETIVOS

Quando se pensa em transtornos psíquicos, logo se pensa no louco clássico, que queima dinheiro ou que pensa que é Napoleão, ou Deus. Uma das áreas da psique que tem sido mais atingida e causado problemas é a área dos afetos. Para quem não sabe, a afetividade se divide em 3 sub áreas a saber: Humor, sentimentos e emoções. Como em tudo que falamos se fala em transtorno ou doença, quando estas áreas se encontram desequilibradas, exageradas ou escassas.

Destas 3, a que tem mostrado um aumento na incidência é a área do humor. Se você não sabe, o humor também é conhecido como estado de espírito. Se mostra através de nossos estados de ânimo. Quando o nosso humor está em alta, nos sentimos dispostos, animados, otimistas, acreditando na vida e em nós mesmos. Sentimo-nos fortes e capazes, a necessidade de dormir diminui, rimos com facilidade, ficamos bem humorados. Quando esta alta começa a ficar exagerada, o humor começa a ficar irritadiço, a impaciência começa a tomar conta de nós, nossa capacidade de relaxar desaparece e não aceitamos nenhum tipo de limite, estando dispostos para a briga e chegando as vias de fato com facilidade. Como conseqüência, os pensamentos eufóricos e idéias de grandeza tomam conta da nossa mente, gastamos o dinheiro com facilidade, sempre supondo que depois daremos um jeito em qualquer dificuldade que acontecer. Quando o humor está em baixa, sentimo-nos cansados e desanimados, uma sensação difusa de fraqueza toma conta de nosso espírito. Pensamentos angustiantes e pessimistas dominam a nossa mente. O movimento para enfrentar os problemas de vida diminui e a nossa autoconfiança cai. Quando esta baixa fica exagerada os pensamentos negativos nos dominam, uma sensação permanente de derrota e de não acreditar na vida se acentua. Idéias de ruína, de fracasso começam a nos atormentar, possibilidades de doença e até delírios hipocondríacos.


Estas variações em nosso estado de humor fazem parte da fisiologia normal de nosso cérebro e de nosso comportamento. Quando ficam exageradas e acontecem com uma certa freqüência são consideradas e tem nome: “Transtorno Afetivo Bipolar”. Quando os exageros acontecem para o lado da euforia, da excitação o transtorno é chamado de mania ( que nada tem a ver com as manias do TOC), que podem ser classificadas como leve, moderada e grave. A pessoa portadora de Mania tem o exagero apenas nos estados de excitação, são pessoas hiper ativas e a sua incidência é relativamente rara. Como os estados de humor são cíclicos, o Transtorno Afetivo Bipolar que apresenta sintomas nos 2 extremos do humor é mais comum. Neste tipo de transtorno a pessoa tem episódios de mania e de depressão que podem se intercalar, ou mostrar o predomínio para uma das 2 polaridades. E na outra ponta temos os estados depressivos onde o que predomina é a baixa do humor.


Acredita-se que por volta de 15% da população tenha estados de ânimo depressivos importantes e dignos de tratamento.

Quando a pessoa não tem estados de ânimo exagerados, porém crônicos e repetitivos, estes transtornos são classificados como distimias. Um dos estados mais comuns são os estados de mal humor que quando crônicos e persistentes devem ser tratados como se fossem estados depressivos.

Fonte: www.ansiedade.com.br

domingo, 30 de novembro de 2008

Dicas de Terapia Ortomolecular

1. DIFICULDADE DE PERDER PESO.O QUE ESTÁ FALTANDO: ácidos graxos essenciais e vitamina A.
ONDE OBTER: semente de linhaça, cenoura e salmão - além de suplementos específicos.

2. RETENÇÃO DE LÍQUIDOS.O QUE ESTÁ FALTANDO: na verdade um desequilíbrio entre o potássio, fósforo e sódio.
ONDE OBTER: água de coco, azeitona, pêssego, ameixa, figo, amêndoa, nozes, acelga, coentro e os suplementos.

3. COMPULSÃO A DOCES.O QUE ESTÁ FALTANDO: cromo
ONDE OBTER : cereais integrais, nozes, centeio, banana, espinafre, cenoura + suplementos.

4. CÂIMBRA, DOR DE CABEÇA.O QUE ESTÁ FALTANDO: potássio e magnésio.
ONDE OBTER: banana, cevada, milho, manga, pêssego, acerola, laranja.

5. DESCONFORTO INTESTINAL, GASES, INCHAÇO ABDOMINAL.O QUE ESTÁ FALTANDO : lactobacilos vivos.
ONDE OBTER : coalhada, iogurte, missô, yakult e similares.

6. MEMÓRIA RUIM.
O QUE ESTÁ FALTANDO : acetil colina, inositol.
ONDE OBTER : lecitina de soja, gema de ovo + suplementos.

7. HIPOTIREOIDISMO.
(PROVOCA GANHO DE PESO SEM CAUSA APARENTE)O QUE ESTÁ FALTANDO: iodo.
ONDE OBTER : algas marinhas, cenoura, óleo, pêra, abacaxi, peixes de água salgada e sal marinho.

8. CABELOS QUEBRADIÇOS E UNHAS FRACAS.
O QUE ESTÁ FALTANDO : colágeno.
ONDE OBTER : peixes, ovos, carnes magras, gelatina + suplementos.

9. FRAQUEZA, INDISPOSIÇÃO, MAL ESTAR.O QUE ESTÁ FALTANDO : vitaminas A, C, e E e ferro.
ONDE OBTER : verduras, frutas, carnes magras e suplementos.

10. COLESTEROL E TRIGLICERÍDEOS ALTOS.
O QUE ESTÁ FALTANDO : Ômega 3 e 6.
ONDE OBTER : sardinha, salmão, abacate, azeite de oliva.

Fonte: www.magraemergente.com

Álcool em excesso pode matar ou enlouquecer

Passar da bebedeira ao coma alcóolico não é muito difícil...


Os jovens, entre os quais cada vez mais meninas, bebem para se divertir. Consomem bebidas cada vez mais alcoólicas, de efeito rápido, o que as torna mais perigosas. Passar do estado de normalidade para o da alienação total dura poucos minutos. Dar o passo seguinte — para o coma, o acidente de automóvel ou a loucura — é tão rápido, que é preciso estar muito atento à evolução do estado do alcoólico para poder evitar situações piores.

Apesar de todas as campanhas de sensibilização que já foram feitas, os jovens de hoje consomem bebidas alcoólicas sem ter a noção de que podem morrer ou enlouquecer com a bebida. Isto, para não falar de outros riscos que correm, como as doenças hepáticas (do fígado) e do coração. Os próprios acidentes de automóvel são um aspecto a ter em conta, visto que muitos deles conduzem sob o efeito do álcool, pondo em risco a sua vida e a dos outros. O alerta é dado pelo enfermeiro Eduardo Lemos, do Centro de Recuperação Alcoólica Ricardo Pampuri, da Casa de Saúde de São João de Deus.


Outro dos riscos é o coma. Eduardo Lemos explica que o coma alcoólico é uma situação de emergência médica, pelo que a pessoa tem de ser rapidamente assistida. "Ficam afectadas funções vitais do organismo que, se não forem avaliadas a tempo e devidamente observadas e cuidadas, podem matar o indivíduo", especifica. Quanto à loucura, o enfermeiro adianta que o álcool vai matando as células do cérebro. O processo é irreversível, isto é, células mortas não são recuperáveis. "É muito frequente, nos hospitais psiquiátricos e nos centros de recuperação alcoólica, encontrarmos demências provocadas pela intoxicação crónica do álcool", diz. Refira-se que, a este propósito, o presidente da Associação Anti-Alcoólica da Madeira, Jaime Vasconcelos, também diz que "o alcoolismo está a um passo da grande loucura; basta um passo para perdermos todas as capacidades". Alucinações, tentativas de suicídio e até homicídio são alguns dos efeitos dos excessos alcoólicos, diz.

Os avisos são tanto mais importantes quanto mais se nota a forma como os jovens de hoje se embebedam. A “moda” é consumir os “shots”, pequenas bebidas misturadas de elevado teor alcoólico que se bebem de um gole. Os efeitos são quase que imediatos. Poucos copos depois, já se perdeu a normalidade. Da bebedeira ao coma, o passo não é tão grande quanto isso. Eduardo Lemos salienta que a bebida alcoólica pode ser atractiva pelo seu efeito desinibidor. Os problemas vêm depois, quando ao primeiro copo se seguem outros tantos. É por estas razões que considera cada vez mais importante que se esclareçam os adolescentes sobre os riscos que correm quando consomem bebidas alcoólicas. Jaime Vasconcelos, por seu turno, defende ser melhor "ensinar a beber do que proibir".

Um dos primeiros aspectos a ter em atenção é o de que todo o alcoólico começou por ser um bebedor moderado. Depois, fica com a ideia de que consegue controlar o que toma. Só que o álcool é aditivo. Isto é, o corpo vai-se acostumando aos seus efeitos. Com o correr do tempo, para se conseguir o mesmo resultado, é preciso beber mais quantidade. Assim se vai elevando o consumo e se atinge a dependência. Sair dela é que não é fácil. No Centro Ricardo Pampuri, uma equipa multidisciplinar (psicólogos, médicos, enfermeiros, etc.) ajuda no tratamento, que dura uma média de 28 dias e inclui apoio à reinserção social.

Fonte: www.saudinha.com


quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Biodúvidas


Por que se deve beber chope com espuma?

A espuma é essencial para manter o gás. Ela protege a bebida do contato com o oxigênio, que faz o chope amargar. A espuma também atua como isolante térmico, ajudando a preservar a temperatura do chope.

Por que ocorre o coma?
Quando um paciente está em coma significa que seu estado é de inconsciência - nenhuma estimulação é capaz de despertar o doente. O coma ocorre quando o córtex ( parte mais externa do cérebro) é afetado, a pessoa perde as atividades cerebrais superiores - como a consciência, capacidade de percepção e reatividade, mas conserva as funções autônomas, como a respiração e a circulação.
Por que nós soluçamos?
O soluço é a contração involuntária do músculo do diafragma, responsável pela respiração causado por irritação no nervo frênico - o que ativa o diafragma. O soluço pode ser curado por um susto, que liberaria adrenalina e ativaria o tal nervo. Outra solução seria o banho gelado, que provocaria o mesmo efeito.
Como surge a cãibra?
É um espasmo muscular, comum na barriga da perna, que ocorre após muita atividade física, quando a energia acaba e a musculatura se contrai e não relaxa. Para fazer a cãibra passar, é preciso contrair o músculo oposto ao que está doendo, como fazem os jogadores de futebol. Se a cãibra for na barriga da perna, é preciso alongar os músculos da parte da frente, esticando o pé para trás.
Por que depois de uma boa noite de sono, acordamos com os olhos inchados?
Quase 70%25 do nosso corpo é formado por líquidos. Quando dormimos, ocorre uma redistribuição e a cabeça recebe uma parte maior de água do que a que se concentra nela durante o dia. Durante o dia, os líquidos do nosso corpo tendem a se acumular nas pernas, graças à famosa força de gravidade.

Fonte: www.vocesabia.net

Você sabia?

Que a medula espinhal é responsável por uma boa parte do controle sensitivo e motor do organismo?

A medula não se trata apenas de uma via de condução para impulsos nervosos até o encéfalo. Muito mais que isso, ela tem centros de controles autônomos importantes. Esses neurônios medulares controlam por exemplo: intensidade de contração muscular, reflexo de coçar, reflexo dos movimentos de caminhar e galope, sudorese e controle da pressão arterial.

Além dessa funções, a medula espinhal também recebe constantemente impulsos originados de variados receptores distribuídos pelo organismo. Esses receptores informam “ao vivo” estado de tensão dos músculos, comprimento muscular, posição das articulações, entre outros.
Portanto, não menospreze a medula .

Fonte: www.vocesabia.net

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Como um médico deve agir.

O texto abaixo é um relato de caso clínico que mostra o que acontece na nossa realidade e expõe exemplos a serem seguidos e outros não.

O comportamento se altera



Uma senhora branca, viúva, de 90 anos, previamente sadia e sem uso regular de fármacos inicia alterações comportamentais e agitação psicomotora. Ela mora em seu apartamento próprio, é financeiramente independente (tem 3 filhos, cada um com sua família e apenas um morando na mesma cidade) e tem duas acompanhantes que se revezam.
Numa das visitas à mãe, um dos filhos nota que ela está se comportando estranhamente, além de não reconhecê-lo, algo que jamais havia ocorrido. Um clínico é chamado para uma visita domiciliar.

Alterações comportamentais de início agudo, principalmente se associadas a agitação psicomotora, são clássicas da síndrome do delirium, um desarranjo no funcionamento cerebral superior que conhece várias etiologias. Em muitas situações existe uma alteração primária fora do sistema nervoso (infecção, distúrbio hidro-eletrolítico, uso de fármacos, por exemplo) que acaba comprometendo a função neuronal. É claro que a síndrome do delirium pode se instalar sobre situações neurológicas bem definidas (doença de Parkinson, doença de Alzheimer, para citar algumas), mas é essencial que se reconheça que doenças outras que não as neurológicas e psiquiátricas podem levar ao quadro. Poucas situações pedem por uma avaliação clínica tão abrangente quanto a de uma pessoa com a esta síndrome.

O clínico medica

O clínico visita a senhora e prescreve olanzapina. O uso de neurolépticos em uma pessoa com alterações comportamentais é uma tentação difícil de resistir. Haloperidol e clorpromazina, os nomes tão clássicos da primeira geração dessas drogas, logo vêem à mente. Seus benefícios são bem documentados, mas seus efeitos colaterais bem conhecidos (principalmente parkinsonismo e alterações cardíacas) sempre refreiam seu uso. Principalmente em pessoas idosas e de maior poder aquisitivo, fica-se muito tentado a prescrever um neuroléptico mais novo, como risperidona, olanzapina ou quetiapina.
Esses últimos fármacos foram desenvolvidos na esperança de melhorarem os chamados sintomas negativos da esquizofrenia (principalmente o isolamento social), uma vez que os sintomas positivos (as alucinações e delírios) já eram bem controlados pelos de primeira geração. Acreditava-se, até pouco tempo atrás, que essas drogas ofereciam um grau de segurança muito maior (em termos de efeitos colaterais), um pensamento que começa a cair por terra (NEJM 2006;355:1525). O uso hoje de neurolépticos de última geração precisa ser pensado caso a caso, sempre lembrando de seu alto custo. Uma situação em que eles, principalmente a olanzapina, encontram um nicho bem definido é no tratamento das alucinações de pacientes com algumas síndromes Parkinson mais (como a demência dos corpos de Lewy), em que as drogas de primeira geração são muito mal toleradas. De qualquer maneira, o uso de um neuroléptico nesta senhora, sem qualquer outra ação, significa que o médico abdicou de fazer um diagnóstico etiológico e está satisfeito em medicar sintomaticamente, algo que até pode ser feito; mas não será ainda muito cedo para isto?

Não há qualquer melhora

Um neurologista então é chamado e decide pela hospitalização. Hospitalizar uma pessoa com vistas a centralizar as investigações diagnósticas pode ser uma estratégia útil. Entretanto, é preciso evitar a hospitalização que só traz benefícios para o médico. De qualquer forma, se existe um fator de risco bem conhecido para o desencadeamento de uma síndrome do delirium numa pessoa idosa, este é a hospitalização.

As investigações e a prescrição de alta



Durante a hospitalização, as investigações consistem em hemograma, bioquímica básica, urina EAS, urocultura e radiografia de tórax, todos normais. É solicitada uma avaliação cardiológica (exame físico e ECG) que também nada revela. A senhora então recebe alta com prescrição de risperidona e sem explicação sobre o que está acontecendo. Observe que voltamos ao patamar anterior: tratamento sintomático de uma síndrome do delirium, sem qualquer idéia da etiologia. Isto certamente pode acontecer, mas continue acompanhando o desenrolar da história.

O quadro se exacerba

Em casa, a situação se deteriora: a agitação aumenta. Contactado por telefone, o neurologista orienta reinternação: “procurem o plantão”. A senhora é internada novamente, para outro neurologista.

Isto não está bem. Temos uma senhora com síndrome do delirium, de etiologia desconhecida, nitidamente não respondendo a neurolépticos de última geração (até agora, olanzapina e risperidona), reinternada, e para outro neurologista que, agora, será o terceiro médico a vê-la.

Este último profissional solicita uma TC craniana que revela grande processo expansivo comprometendo lobos frontal, temporal e parietal à esquerda, com leve efeito de massa, notável sobre o corno anterior do ventrículo lateral esquerdo, com grande probabilidade de neoplasia maligna primitiva. Comenta com a família que “não há nada a fazer”, a não ser a internação para uma instituição para pacientes terminais. A família não concorda com esta indicação e o profissional dá alta com prescrição de dexametasona, 12 mg/dia.

Em casa, a agitação se torna ainda mais intensa, a ponto de fazer com que vizinhos perguntem o que está acontecendo. Contactado pelo telefone, o último neurologista orienta: “dê um comprimido de gardenal de 100.” Ao comparecer à farmácia, o filho descobre que este medicamento só é vendido com receita médica!

A família se sente perdida

Observe que existem razões para isso:

O primeiro médico (clínico) não fez mais contato para saber sobre a evolução da senhora; e isto após uma prescrição de olanzapina! Jamais

se prescreve um neuroléptico sem se acompanhar a evolução. Mesmo que a família não dê notícias, é obrigação do médico se informar. O segundo médico (neurologista) não fez o diagnóstico etiológico (síndrome do delirium associada a um tumor cerebral) que, por acaso, era essencialmente neurológico. Prescreveu uma droga (risperidona) do mesmo grupo de outra (olanzapina) que já não havia funcionado (será que ele sabia desse uso prévio?). Nunca visitou a senhora na segunda hospitalização (que foi no mesmo hospital) e nunca mais fez contato com a família.O terceiro médico (neurologista) fez o diagnóstico etiológico, orientou a instituição para pacientes terminais (será que sabe a razão pela qual a família não concordou?), deu alta com prescrição de dexametasona (presumivelmente para redução do edema cerebral associado), sem indicação de tempo de tratamento nem prazo para reavaliação, e finalmente, quando consultado por telefone, prescreveu fenobarbital, para o qual sabia da exigência de receita.
Por mais que a família possa ter sua parcela de responsabilidade (e certamente tem) por esses encontros tão cheios de problemas, não há como isentar os médicos.

O quarto médico

Um outro clínico é chamado para uma visita domiciliar. A pessoa que solicita a visita diz que o médico encontrará a senhora com a empregada. Isto não é bom, e indica muito sobre o comportamento da família. Como é possível que não haja nenhum parente presente num caso assim? O médico exige a presença de um parente como condição para a visita.

A história

Na visita, a nora da paciente conta a história: vida saudável, com filho falecido de tuberculose pulmonar há 2 anos, e acidente cerca de 1 mês antes do início do quadro atual, em que foi arranhada por cachorro. Os sinais vitais estão preservados e, incrivelmente, está aceitando alimentação e as funções excretoras estão preservadas. A TC craniana mostra os achados já descritos.

A ação

O médico identifica a cuidadora principal (uma das empregadas), avalia seu potencial, explica o que está acontecendo, suspende dexametasona e inicia haloperidol gotas, após explicar que o número de gotas e o espaçamento entre elas acontecerão de acordo com a resposta. Agenda visita de acompanhamento, diária, até definição do resultado (que é alcançado em 48 horas, prazo em que a agitação cede completamente, com a dose de 4 gotas 4 vezes ao dia). No dia seguinte ao da visita domiciliar, a família é convocada ao consultório onde os seguintes passos são dados:

Explica o que está acontecendo: uma síndrome do delirium por um provável tumor cerebral.Explica que certeza sobre o tumor cerebral só com uma biópsia para obtenção de algum tecido.Explica que o contato prévio com um caso de tuberculose (filho) a coloca em risco de ter contraído a infecção.Explica que a tuberculose encefálica pode simular um tumor.

Explica que o acidente com o cachorro pode ter transmitido uma infecção: raiva (caso em que o achado radiográfico não teria relação com a clínica atual) e abscesso cerebral são possibilidades.Pergunta sobre o paradeiro do cachorro: está vivo e normal. Descarta raiva.Pede autorização para consultar um especialista em imagens para tentativa de definição do diferencial: tumor, tuberculose, abscesso e possível necessidade de investigações adicionais.Responde a dúvidas gerais da família.A esperança de uma outra opção diagnóstica não se concretiza.

O contato com 2 imagenologistas especializados em sistema nervoso descarta outras possibilidades que não o tumor. Os colegas dizem que não há outro exame de imagem disponível que possa dar mais informações. Certamente só a biópsia seria definitiva, mas todos concordam que seria muito agressiva e com baixa probabilidade de alterar a história neste contexto. A família é comunicada e todos concordam com o acompanhamento em casa. A paciente está em paz, sem qualquer agitação e, surpreendentemente, aceitando alimentação e hidratação oral normalmente. No entanto, não é capaz de se comunicar com conteúdo. Fala algumas coisas e mantém controle esfincteriano. Os sinais vitais não se alteraram e ela alterna os dias entre a cama e a poltrona. Segue comandos durante o banho. O médico forja uma aliança cada vez maior com a cuidadora e família (telefonemas e visitas pontuais), preparando-os para o desenlace. Desde que se alcançou controle total da agitação, a dose de haloperidol vem sendo diminuída. No mesmo dia da última visita a paciente falece. O médico faz a última visita, preenche a declaração de óbito, é convidado a escolher com a família a urna funerária (naturalmente declina desta participação, explicando que se trata de uma escolha muito pessoal), e escuta da cuidadora: “ela morreu na minha mão”.

A última tarefa

Uma semana após, o médico escreve uma carta de condolências, um fecho para o caso que acompanhou.

Este caso leva a várias reflexões, mas acima de tudo, à necessidade imperiosa de que cada paciente se sinta acompanhado por um médico, um médico de referência, seu médico pessoal. Se houver uma doença bem definida pertencente claramente a uma especialidade, o especialista pode naturalmente ser este médico, mas desde que se comporte como um médico em plenitude. Não deixa de ser irônico que nesta situação, com um diagnóstico essencialmente neurológico, dois especialistas não tenham conseguido estabelecer um vínculo de confiança, base para qualquer prática médica.

Fonte: www.medicinaatual.com.br